terça-feira, 28 de agosto de 2007

Fabíííííííííooola!

Fabíola. Esse era o nome que nos levaria para duas mesas atrás. O problema era, quando tivemos a chance de falar com ela já era tarde demais. Fabíola já estava apertada. Dançava uma coreografia nada ensaiada, desengonçada e dolorida. Estávamos na fila para o banheiro. Fabíola não sabia se dançava, se ria, se segurava ou se ficava impressionada com tantas emoções assim juntas. Pobre Fabíola... De tão apertada que estava (e também devo dizer cafona, afinal, o modelito de tigresa-enfurnada-nos-anos-oitenta não estava ajudando muito...) deram a vez de outra pessoa a ela. Alívio! Entrou correndo. Nesse curtíssimo tempo, as poucas coisas que ficamos sabendo enquanto a aflita menina dava seus últimos pulinhos e andava, era que ela também não sabia o nome do alvo, mas que mesmo assim falaria com ele.

Como estou certa de que não posso dar nomes aos bois nessa história, eu irei chamar a companheira amiga daquela noite de Júlia. Pronto. Agora sim. Júlia estava feliz. Desceu as escadas um pouco desengonçada também (ela diz ter problemas com escadas estreitas, e garante que era só isso mesmo. Huhum...). Agora era esperar a Fabíola voltar toda aliviada e com um plano em mente. Estúpida Fabíola. Nada fez. Júlia já se fazia de entretida com tudo e todos. Eu achei maravilhoso, afinal, Júlia estava rindo e depois de tantos problemas era exatamente isso que eu queria que ela fizesse. Pronto! Júlia estava i-n-c-o-n-t-r-o-l-á-v-e-l. Ela ria... Tagarelava... Sacaneava o ouvido alheio... Fazia caras, caretas e bocas. Mas entre uma distração e outra, ela sempre dava uma olhadinha para trás.
Eu estava sem os óculos (para variar) e não pude ver o elemento alvo direito. Júlia fazia uma carinha de coitada e bobinha toda vez que virava para mim e dizia: "Aaaaiii... O careca... É lindo! Vixe!!! Ele é vesgo! Aaaahhh... o careca...." Ah Fabíola... Cretina! Já que o alvo era vesgo e não percebia a euforia de Júlia para seu lado, a garota se contentou em se divertir com os novos amigos de muito tempo que lhe foram apresentados naquela noite. Entre uma bagunça aqui... outra alí... Júlia mira outro alvo. "Ah não, velho..." foi só o que eu escutei quando a jovem percebeu que seu novo alvo era acorrentado por uma aliança no dedo. Desiste. No terreno dos outros não se faz bagunça.
O jeito foi continuar se divertindo. Afinal, era o que todos estavam fazendo ao redor da mesa. Risos! Risos! Risos! A noite rendeu... Ah! Fabíola... A menina cretina da fila do banheiro. Ela estava indo embora. Esguelei pelo nome dela, pensei que ao menos assim a ficha dela cairia e ela entraria no mesmo ritmo da dança que nós estávamos. Fabíola cretina e passada. Ficou nos olhando de longe. E quase todos nós da mesa olhando para ela. Até acenamos com as mãos, gritos e escândalos... Mas era tarde demais. Fabíola estava aliviada e passada. Fabíola miserável.

"And I wait here another time, Like a thousand times before..."

Está complicado me concentrar. A única cena que tenho em mente agora é quando saí da tua casa indignada com a maneira na qual nos falamos. Eu até cheguei a fazer o retorno, mas o medo e o maldito nó na garganta não deixaram. As mãos mal me guiavam. Se elas já estavam tremendo conforme ia chegando perto da 26, imagine após ter saído de lá...


Inacreditável como sempre acabamos assim. Será que dessa vez vai ser como da primeira? Vamos sumir um do outro? Não nos falarmos mais e fingir que cada um está tocando a vida adiante? Miséria! Se for assim, eu acabo de ter a certeza que joguei sete anos do tempo na lata do lixo.


A garganta está totalmente seca. Não consigo pensar direito, as idéias me aparecem todas confusas. Não quero isso tudo de novo... Ajuda!?

Pausa para a música...

The Love Thieves
(Depeche Mode)

Oh the tears that you weep
For the poor tortured souls
Who fall at your feet
With their love begging bowls

All the clerks and the tailors
The sharks and the sailors
All good at their trades, but
They'll always be failures

Alms for the poor
For the wretched desciples
And the love that they swore
With their hearts on the bible

Beseeching the honor
To sit at your table
And feast on your holiness
As long as they're able

Love needs its martyrs
Needs its sacrifices
They live for your beauty
And pay for their vices

Love will be the death of
My lonely soul brothers
But their spirit shall live on in
The hearts of all lovers

Your holding court
With your lips and your smile
Your body's a halo
Their minds are on trial

Sure as adam is eve
Sure as jonah turned whaler
They're crooked love thieves
And you are their jailor

Love needs its martyrs
Needs its sacrifices
They live for your beauty
And pay for their vices

Love will be the death of
My lonely soul brothers
But their spirit shall live on in
The hearts of all others

Love will be the death of
My lonely soul brothers
But their spirit shall live on in
The hearts of all others



Uma pausa para a música. Não. Eu não estou querendo passar mensagem subliminar alguma através dessa música. Ela simplesmente foi a trilha sonora da volta para casa. E ficou na cabeça. Assim como ele também ficou.

domingo, 26 de agosto de 2007

Ela era linda, mas significava nada para mim...

Ultimamente, Sofia tem conversado muito com um quase novo amigo. Adquiriu a liberdade de rir junto dele, e ainda lhe perguntar e conversar a respeito de assuntos pessoais. Essa semana, durante a resposta para uma das inúmeras perguntas de Sofia, o amigo veio com a definição do "ciclo". "Talvez Sofia, o ciclo dele ainda não esteja fechado. Ou pode ser que ele se prenda ou ainda é fascinado por algo em essa outra pessoa... De repente, é dessa forma que ele 'funciona' ".

Sofia achou isso muito interessante. Ela pensou a respeito disso durante todo o resto do expediente daquele dia e por muitos outros. Foi assim que ela resolveu fechar o seu ciclo. Afinal, cansada do jeito que estava, não poderia deixar que "um ciclo mal resolvido" piorasse as coisas para o seu lado. E dessa forma foi dado início ao processo de cura. Mudou a triste estação do rádio para uma outra bem mais "descolada", deixou que seu corpo e mente se tranquilizassem mais, deu um grande beijo em seu sobrinho e colou um sorriso novinho em folha no rosto.

Estava tudo indo conforme o planejado. Não se incomodou em momento algum se Noah ligasse ou não, conseguiu não pensar nele durante grande parte do seu dia e estava satisfeita com a idéia de ter apenas a amizade dele. Veio o final de semana. Na sexta-feira logo após a aula na faculdade, ela foi para casa e ficou estudando para a prova de sábado até às 5:40 da manhã. Fez a prova poucas horas depois dessa mesma manhã e logo em seguida se deu o luxo de ir fazer as unhas também.

Após ter dormido durante toda a tarde daquele sábado, Sofia tomou um banho ao som de 311 e se arrumou em resposta ao telefonema da Amelie para irem à festa da Mandy, que é amiga da Melanie e que é amiga da Amelie. Vestiu uma calça aqui, uma blusa alí, um sapatinho, bolsa, maquiagem, perfume e lá foi ela. Resolveram sair antes do horário da festa e se encontrarem no mais novo 'previsível lugar de sempre', a idéia era de que discutissem o sexo dos anjos. Conversavam sobre tudo e todos, risadinhas e piadas estavam liberadas pelo o resto da noite. A azaração também já havia começado. Era o cara de camiseta verde que olhava para o rumo da mesa delas, o grandão careca que chamou a atenção da Amelie, o cabeludo de cachinhos que na cara dura já quis se enturmar, e as olhadas de Amelie e Sofia para os demais que naquele momento ganharam o título de “Ah! Esse eu pegava...”

Durante esse tempo, Sofia recebeu duas ligações do Noah no seu celular e ainda achou um dos amigos dele por lá. Acabaram todos sentados ao redor da mesa, rindo e falando sabe-se lá do quê. Até mesmo o Noah acabou aparecendo por lá, mais louco e escandaloso do que nunca. Sofia se sentia bem. Estava feliz, se sentia tranquila e em momento algum teve problemas com a presença dele. Seria esse o início de uma nova fase para Sofia? Ah, que maravilha... Ela sempre se diverte e se divertiu muito naquela noite com os amigos dele e os seus. Estava tão bom que as duas moças já nem se lembravam mais do aniversário da Mandy. Até uma espécie de celebração/ ritual aconteceu em comemoração ao vencimento da permissão de motorista de Sofia. Quantas “idéias-de-Girico” surgem quando pessoas desconhecidas e com afinidades de muitos anos se encontram!

Entre surtos e escândalos, conversas e gritarias, Sofia e Noah estavam sentados lado a lado. Tempo passa e a oportunidade de dar merda aparece. Aliás, ela não só aparece mas como acontece. O beijo quase que acontece alí mesmo com todos os outros por perto, mas o amigo (infeliz) que o havia trazido já estava de saída e Noah tinha que pegar a guitarra no carro do amigo. Como sempre, Sofia e sua falta de noção e de sabedoria em dizer “não” ficou de o levar para casa, então ela foi com eles até o carro do amigo pegar a guitarra e colocar em seu carro. Pronto! Daí em diante nada mais deu certo...

E encostados no carro ficaram. Ela ganhava beijo e tudo aquilo mais que já queria ter escutado. Ele soltou ao pé do ouvido dela que estava ficando apaixonado, mas que tinha medo de passar novamente por tudo que já havia passado... Noah pedia que ela ficasse com ele e, que de certa forma, ele tinha a certeza de que tinham de tudo para dar certo. Estava tudo muito perfeito... Tudo muito bom... Mãozinhas dadas, selinhos, brincadeiras, cosquinhas e murmúrios ao pé do ouvido, e tudo isso sob uma linda noite de lua cheia.

Já no domingo, Sofia se entregou ao cansaço de ter chegado em casa às 5:45 da manhã. Seu corpo não correspondia às suas expectativas de se manter acordada e evitar problemas com sua mãe. Mas ela não deu conta, continuou com o sono até quando pôde. Entre tantas coisas a serem feitas naquele domingo, Sofia reprimia o desejo de receber ao menos uma mensagem ou telefonema de Noah. Como ele não deu nenhum sinal durante o dia, a garota já logo percebeu que esse seria apenas mais um acontecido como vários outros anteriores. Não era a primeira vez que Sofia e Noah se encontravam assim, e tão pouco era a primeira vez que Noah não dava sinal de vida no dia seguinte ou fingisse que nada havia acontecido.

No início da noite Sofia resolveu conectar-se ao MSN e ver se havia ao menos um de seus amigos disponível para conversar. Ficou por alí conversando com um ou dois amigos, mas o assunto não a interessava tanto assim. Achou que aproveitaria mais o seu tempo escrevendo textos ou algo semelhante. Isso seria seu novo método para tentar controlar seus momentos ansiosos e não ir atrás de coisas que a faziam mal, era uma forma de simplesmente organizar suas idéias, pensamentos e sentimentos. Ela achou que seria interessante escrever um pouco, e com a omissão de certos detalhes, a respeito do que havia acontecido na noite anterior. E assim o fez.

Enquanto escrevia seu texto contando todo aquele momento mágico que teve com Noah e ao mesmo tempo se controlando para não subir muito às nuvens, eis que o aviso de mensagem do MSN toca. Era Noah dizendo mais um de seus “Olás!”. Sofia, controladamente e com seus pés no chão, respondeu com um tímido e simples “Oi!”. Noah não poupou tempo e muito menos mediu esforços ao ser, mais uma vez, um cara-de-pau do tipo cretino. As suas próximas mensagens pelo MSN foram amostras de vômitos dizendo que havia ficado muito ruim na noite anterior e que havia dormido durante toda a tarde de domingo. Falou com todas as palavras que simplesmente não se lembrava de nada do que havia acontecido, que essa foi a primeira vez em que ele bebeu tanto ao ponto de ‘dar branco’ no dia segiunte. A partir desse momento Sofia se odiava. Era incontrolável sentir a febre de ódio queimando por todas as partes de seu corpo e o sentimento de decepção que sentiu de si mesma.

No momento, e devido a um imenso nó que sentiu em sua garganta, ela ficou estática. Ela não consegiua pensar e muito menos falar nada. Como poderia alguém ser tão cretino ao ponto de fazer tudo isso e usar das mais esfarrapadas de todas as desculpas disponíveis no mundo? Covardia. Era isso. Noah não passava de um simples covarde filho da mãe. Porém, o que mais remoía o estômago dela era a raiva que estava de si mesma; mais uma vez ela havia bancado a mulher de malandro. Justo ela que já estava pronta para recomeçar, estava feliz e decidida a se apaixonar por um outro alguém. Ela não se perdoava por ter caído naquele jogo novamente, não perdoava o fato de ter deixado para trás toda aquela paz e tranquilidade que foi conquistada com tanto esforço. Agora, era fechar logo esse “ciclo” maldito. Esse era o único pensamento que ela conseguia ter, o que mais queria era fechar esse “ciclo” e seguir em frente. Ao mesmo tempo, ela não conseguia parar de se perguntar se ele realmente não se lembrava de nada. “Como assim não se lembra de absolutamente nada?? NADA?! Faça mil favores... É como se estivesse me chamando de idiota na cara dura!”. Sem perdão.

Decepcionada consigo mesma, a garota dá início ao recomeço de sua cura. Começa a puxar em sua mente motivos maiores que sua paixão por Noah para esquecê-lo. “Ele nunca está ao meu lado quando preciso, vive fazendo esse jogo de gato e rato. Definitivamente só procura quando precisa, faz de mim um ombro de escuta para seus problemas. Afff... Me sinto usada por ele e ainda me deixo cair em mais uma de suas canalhices. Eu já deveria saber...” Sofia até se perguntava se não estava sendo exagerada e/ou dramática por demais, mas o fato é que ela já se sentia demasiadamente cansada de tudo aquilo. Por que não poderiam as coisas serem um pouco menos complicadas? Qual seria o motivo para esse teatro todo? Qual prazer Noah sentia em fazer isso? Ela também se perguntava isso a cada minuto e nunca achava a resposta.

Ainda com o nó atravessado em sua garganta, Sofia decidiu terminar de escrever sobre o acontecido na noite anterior. Pena que o desfecho para a sua história seria baseado nos piores cinco minutos de conversa que ela teve naquele domingo. E assim foi. Ela terminou seu conto, se sentiu um pouco mais aliviada, vestiu seu pijama e foi dormir. Foi dormir se sentindo uma fracassada, humilhada, usada, completa idiota, e com um ódio imensurável de si mesma.

Boa noite, Sofia! E bela tentativa...



(História com direito a nomes cults e com um feeling gringo.)

sábado, 25 de agosto de 2007

25/08

3:32am!!! Completamente sem sono e com a mesa tomada por cadernos, apostilas, gráficos, funções, farelos, copos etc...


O problema não é a hora, ou muito menos a bagunça sobre a mesa. A questão é que acabei de me tocar que hoje, 25/08/2007, é exatamente o dia em que falta um mês para 16 anos. Inacreditável... E depois dizem que o tempo não passa. ts ts ts ts ts


E ainda em ritmo de datas comemorativas, a minha permissão vence hoje! Segunda-feira promete...


sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Ócio

É. Já me disseram isso uma vez, realmente sou muito previsível. Digamos que seja apenas mais uma tentativa frustrada de exilar pensamentos (?).


Sexta-feira e final de expediente. Confesso ter coisas para fazer (que o André não leia isso), mas não consigo me concentrar em praticamente nada, e isso é desde quando cheguei ao trabalho. Ainda não identifiquei o motivo para esse modo relapso em que estou, talvez seja a prova de amanhã e a minha falta de estudo. Ou pode ser a angústia e a insatisfação que venho sentindo pelo sei lá o quê.


Ultimamente coisas (muito) inesperadas têm acontecido, coisas que até eu mesma condenava. Mas o quê posso fazer? O jovem brasiliense está sujeito (condenado) à essa realidade "acultural" de Brasília. Hehehehe... Engraçado, não? Pense... A maioria dos brasilienses são jovens que sofrem da síndrome de "Cult" com uma concentrada dose de feeling londrino. Somos todos pré-fabricados. As meninas vêm de sapatilhas e bolsas da moda, já os meninos vêm com o look Mtv. Patético. Mas eu estava falando a respeito das coisas inesperada que têm acontecido, não é mesmo?


Uma dessas coisas foi reencontrar os amigos, família, lugares, túmulos, fotos... Enfim, tudo aquilo que durante cinco anos, e de forma inevitável, foram deixados para trás. De certa forma é bom saber que algumas coisas mudaram e outras não, mas o que mais se destaca é o relacionamento dos três irmãos. Estava pensando a respeito disso agora pouco... Apesar de tantas brigas, chutes, choros, murros e feridas, os três irmãos Ávila agora são amigos. Continuamos a pentelhar um ao outro, claro, mas não como antes. Agora é gostoso e bem mais fácil falar que os amo. Sei que, apesar de cada um morar em lugares diferentes, podemos contar um com o outro. E que assim seja!


E, meu Deus! Quantos pensamentos avulsos para apenas 30 minutos. Bem, deixa eu arrumar minhas coisas e ir para a faculdade. Dona Nice já me deixa saber que está na hora. Afinal, após ela ter batido no vidro da sala e me chamado para ir embora por três vezes ficou bem mais fácil perceber que já são seis horas.